pode Yeshua ser o Nome do Ungido de elohim?

 
 
É bem comum, quando nos propomos a falar a respeito do Ungido, o qual foi enviado para salvar a humanidade, ouvirmos da parte de alguns que, o Nome dEste é: Yeshua! Mas... será que essa afirmação é verdadeira? De onde veio Yeshua? Por que há pessoas que acreditam que nesse nome há salvação?
 
Abordarmos a respeito desse assunto, é importante, afim de sabermos justificar a nossa emunah, ao invés de sairmos reproduzindo informações que, nem sequer tivemos o trabalho de averiguarmos se são verdadeiras ou falsas.
 
Diante disso, propomo-nos através desse estudo, analisarmos dois grupos, a saber:
 
Grupo 1 - os que defendem o nome Yeshua como sendo o nome do Ungido;
Grupo 2 - os que afirmam que Yeshua Não é o nome do Ungido de Yahu (Yhw) Elohim.
 
Começaremos então nossa análise, verificando as afirmativas do Grupo 1 ... Os que defendem que o nome do Ungido é Yeshua:
 
Há quem afirme que o nome do Ungido é Yeshua pelo fato deste, historicamente falando e, respaldados em evidências textuais antigas, encontra-se em escritos hebraicos, datados do período pós diáspora. E, a respeito disso, convém mencionarmos o seguinte: no que tange a nomes próprios, estes aparecem nas Escrituras de duas maneiras: a) em sua forma Plena e, b) em sua forma Defectiva! Como assim? Alguém pode se perguntar! E, a resposta é: Forma Plena é, a grafia e/ou pronúncia completa de um nome; enquanto que a forma Defectiva é, a sua forma reduzida/contracta do mesmo.
 
Dentre os vários nomes contidos nas Escrituras em sua forma reduzida, destacamos o nome do Criador, o qual bem sabemos que, em sua forma Plena, é formado por quatro consoantes: YHWH/IHVH, porém, também encontramos nas Escrituras, sua forma Defectiva/Reduzida, a saber: YH(pronunciamos - Ya); YHW(pronunciamos - Yahu/Yeho/Yehu, dependendo da posição em que essa forma se encontra, se no início ou no final de nome próprio).
 
No caso do nome do Ungido, ocorre a mesma coisa, ou seja, nas Escrituras encontramos sua forma Plena, formada por cinco consoantes: יהושע( iod; hê; vav; shin; ain) e, a sua forma Reduzida: ישוע( iod; shin; vav; ain), forma essa que, no período pós diáspora, passou a ser de uso "corrente", "popular". Daí, encontrarmos esse Nome nos livros de Esdras; Neemias; Crônicas.
 
A respeito do nome que veio a ser mais adiante, o mesmo nome do Ungido, convém mencionarmos o seguinte: Quando Hoshea, recebeu de Moshe um novo nome, a pergunta que nos vem a mente é: qual a necessidade de se mudar o nome de Hoshea? Bem... quando buscamos respostas, deparamo-nos com a seguinte informação: o nome Hoshea tem por significado: salvo; liberto. A partir do momento em que este recebeu a missão de suceder a Moshe, afim de conduzir IsraEl rumo a Terra Prometida, foi inserido em seu nome o Iod, intensificando dessa forma, a ação de ser salvo; liberto, por meio daquEle que atua para que tal ação seja concretizada! Com essa mudança, o significado que antes era: Salvo/liberto, passou a ser: Ele salvará; Ele libertará.
 
Como podemos perceber, a mudança do nome de Hoshea, não se deu por mero capricho; ou para agradar alguém que merecia, MAS SIM, para denotar que o Agente da Salvação é, quem concederia a IsraEl, o que outrora fora prometido a seus pais. E, quem é esse agente? Hoshea? NÃÃÃOOO. O agente da Salvação é o Todo Poderoso! É aquele que com braços fortes, retirou o seu povo do Egito, para fazê-lo habitar na Terra que lhes fora dado por herança. Hoshea, o qual passou a ser יהושע( há quem pronuncie Yehoshua), foi apenas um instrumento nas mãos do Altíssimo, para liderar o seu povo, um homem temente a Elohim, no qual havia o Ruach de liderança(Nm 27:18).
 
Em toda a Torah e, nos livros que antecedem o período do Exílio Babilônico, é essa forma Plena, do que mais adiante também passou a ser o nome do Ungido, que é encontrada! Porém, no período Pós Diáspora é, a forma Reduzida desse nome, a qual é: ישוע, que encntramos nos textos hebraicos, denotando dessa forma que esse Nome, Yeshua, era um nome comum; "popular", em meio aos Yehudim pós diáspora.
 
Da mesma forma que João; José; Maria; Ana, são nomes comuns em nosso idioma, Yeshua também é um nome comum entre os Yehudim e, as evidências de seu uso, não se limita apenas nos textos Pós diáspora, mas também em Ossuários, dentre eles, o de Yaacov, datado do Século IEC, o qual, após análises de peritos em testes de Carbono-14; da arqueologia; história bíblica; paleografia(no qual se analisou o estilo da escrita da época); geologia; biologia e; microscopia, confirmou-se a autenticidade da escrita contida nele.
 
Vejamos a figura abaixo:
 
 
 
Vejamos abaixo, alguns textos do período Pós Diáspora, onde encontramos a forma reduzida ישוע:
 
Esdras 5:2 "
 
 
Esdras 10:18 " E acharam-se dos filhos dos sacerdotes que casaram com mulheres estrangeiras: Dos filhos de Yeshua, filho de Jozadaque, e seus irmãos, MaaseYah, e Eliezer, e Jaribe, e GedalYah."

 
 
 
Neemias 12:1 " Estes são sacerdotes e levitas que subiram com Zorobabel, filho de Sealtiel, e com Yeshua: Seraías, Jeremias, Esdras."
 
Um ponto importante a ser mencionado é o seguinte: Yeshua, forma reduzida do nome Yehoshua, NÃO é proveniente de Yehovah! Compreender isso, já é um grande avanço no aprendizado Escritural, pois o entendimento errôneo a respeito desse assunto, faz com que as pessoas vejam o nome Yeshua com olhar de "desconfiança". Mas... verdade seja dita: Yeshua/Yehoshua NADA tem a ver com Yehovah, como muitos, infelizmente afirmam!
 
O que alguns precisam compreender é, que a vocalização "Ye" contida em Yeshua/Yehoshua, NÃO é proveniente do sinal massorético Shevau Composto(-:), sinal esse que encontramos no termo Adonay e, que foi quebrado, deixando apenas o Shevau(:) para ser inserido no Tetragrama, visto que, a consoante Iod por ser NÃO ser gutural, NÃO aceita semivogal, neste caso, não aceita o shevau composto por patar.
 
Entretanto, a pronúncia "Ye" do nome Yeshua/Yehoshua, provém do sinal Shevau simples/audível(:) , o qual é usado em consoantes não guturais, neste caso, o Iod.
 
Outra informação importante a ser repassada aos que porventura acompanharem essa postagem é : quando os Yehudim inseriram no Tetragrama as vogais de Adonay, assim fizeram, NÃO com o objetivo de se pronunciar Yehovah, mas SIM, Adonay! A má leitura de Yehovah, deu-se a partir da Reforma Protestante, onde cristãos, dentre eles, Martinho Lutero, tinham por objetivo, a retomada da leitura de textos em hebraico, os quais foram substituídos pela Igreja Católica, pelos textos em latim. 
 
Entretanto, os cristãos da Reforma, por não conhecerem a tradição judáica, que diante do Nome Sagrado, leem Adonay, afim de não O pronunciarem em vão, ao se depararem com este Nome, sinalizado com as vogais de Adonay, pronunciaram Yehovah.
 
Bom... cientes que os sinais massoréticos passaram a ser criados a partir do Século VI EC ( Era Comum), sendo consolidado por volta do Século IX, com a Escola de Ben Asher. Portanto, é IMPOSSÍVEL, darmos crédito a uma afirmação, em que é dito que, Yeshua/Yehoshua provém de Yehovah, uma vez que, as evidências textuais da pronúnica "Ye" contida nesse nome, pode ser encontrada em textos do Codex Vaticano e, do Codex Sinaitico, os quais são datados paleograficamente, como sendo do Século IV EC, enquanto que, a pronúncia Yehovah, surgiu no Século XVI com a Reforma Protestante.
 
Conclusão: a Pronúncia "Ye" contida no nome Yeshua/Yehoshua, antecede em 400 anos do período em que se consolidou os sinais massoréticos e, 1200 anos ao surgimento da pronúcia Yehovah!
 
Portanto, NÃO FAZ SENTIDO afirmar que Yeshua/Yehoshua, provém de Yehovah! Ainda mais sabendo que, a pronúncia Yehovah, deu-se a partir do Seculo XVI EC, enquanto que encontramos evidências textuais da pronúncia Yeshua/Yehoshua, datados do Século II e IV EC.
 
 
Analisando as afirmativas do Grupo 2, o qual afirma que Yeshua não pode ser o Nome do ungido...
 
Como já dissemos anteriormente, há quem afirme que, o Nome do ungido NÃO é Yeshua e, assim afirmam, em sua maioria, em razão de acreditarem que Yeshua, forma reduzida do nome Yehoshua, tem sua origem no nome Yehovah, o que NÃO é verdade! E, por que assim afirmamos? E, a resposta é simples: 
 
1º) porque conforme já mencionamos anteriormente, a criação dos sinais massoréticos, deu-se a partir do século VI EC, consolidando-se no Século IX EC; porém a pronúncia Yehovah, deu-se no início no Século XVI EC, com a Reforma Protestante, conforme podemos observar nos textos abaixo:
 
De acordo com Page H. Kellley, em sua obra: Hebraico Bíblico - Uma Gramática Introdutória, lemos o seguinte: " A tentativa curiosa de transliterar a forma híbrida obtida com a inserção dos sinais massoréticos de Adonay, como Yehovah (ou Jehovah, porque "y" não existia na língua alemã), só apareceu no tempo da Reforma Protestante." pgª 56
 
De acordo com o Dicionário Internacional do Novo Testamento, lemos na pgª 560 o seguinte: " Em 1530 Tyndale, empregou Iehouah na sua tradução de Exodo 6:3. Subsequentemente, Jeová ficou sendo a prtografia padronizada." 
 
2º) porque a pronúncia Yeshua em sua forma grega: Iesous, é encontrada em fragmentos datados do Século II EC. Portanto, como podemos perceber, a pronúncia "Ye" contida no nome ישוע, antecede mais de 1300 anos da pronúncia Yehovah e; em Codex, datados do Século IV EC. Neste caso, a pronúncia "Ye" nos textos desses Códex, antecede mais de 1100 anos!
 
É bem verdade que, o Nome concedido a Hoshea, é igual ao Nome concedido ao Ungido, logo, há quem acredite que, por essa razão, o correto seja fazer uso da forma Plena desse nome e, NÃO de sua forma reduzida! Estes se baseiam no Nome grafado na Torah e, nos livros que antecedem o período do Cativeiro babilônico, a saber: o livro de Zacarias; Josué; Ageu; Juízes...
 
Também há aqueles que, não concordam que no Exílio e, após este, a forma Plena do Nome יהושע, "caiu em desuso, enquanto que, a forma reduzida ישוע, passou a ser a única usada entre os Yehudim, para denotar o significado da Salvação a ser concedida pelo Altíssimo. E, asism afirmam, em razão de encontrarmos textos que retratam o início do cativeiro, no qual a grafia plena, ainda se fazia presente, como podemos verificar nos textos abaixo: 
 

1Cr 7:27 " De quem foi filho Num, de quem foi filho יהושע(Josué)."

Do mesmo, é possível observarmos que no INÌCIO do cativeiro babilônico, a forma Plena do Nome também se faz presente, conforme podemos verificar no texto abaixo:

2Reis 23:8 " E a todos os sacerdotes trouxe das cidades de Yehuda, e profanou os altos em que os sacerdotes queimavam incenso, desde Geba até Berseba; e derrubou os altos que estavam às portas, junto à entrada da porta de יהושע(Josué), o governador da cidade, que estava à esquerda daquele que entrava pela porta da cidade."

Finalizando...

Em resposta ao tema desse estudo: Por que Yeshua não pode ser o nome do Ungido? E, a nossa resposta é: na verdade, diante de evidências textuais e arqueológicas, NÃO há como sermos taxativos em afirmarmos que, Yeshua não pode ser o nome do Ungido, PORÉM, até o momento, fazemos uso do Nome Yahushua! 

Agora..., após lerem o que escrevemos, compete a cada um, diante das formações obtidas, meditar; refletir; orar; afim de obter o discernimento acerca daquEle que nos foi enviado, para levar sobre si, nossos pecados; iniquidades e; transgressões! E, a segurança de fazer uso do Nome em quem depositar a sua emunah.

Nosso objetivo através desse estudo é, levar ao conhecimento do leitor, o seguinte: Yeshua/Yehoshua, ao contrário do que muitos afirmam, NÃO PROVÉM de Yehovah. Levar o leitor atentar-se para esse fato, faz parte do propósito desse nosso estudo, pois o situar-se no contexto histórico; no contexto temporal(período) referente as evidências textuais e arqueologicas, é fundamental para estabelecermos um ensino coerente com o que é ensinado.

Uma coisa é certa: quando se compreende a respeito do nome Yeshua/Yehoshua, os conceitos errôneos que nos foram transmitidos e, que continuam sendo reproduzido por muitos que, NÃO conhecem o hebraico bíblico, foram DESCARTADOS de nosso meio!

Assim sendo, respeitamos o direito que a pessoa tem, de fazer ou não uso desse Nome, mas que assim faça, com entendimento de quem tem a segurança e a certeza do que fala e, NÃO com explicações sem fundamento algum!

 
 
Bibliografia:
 
Torah
 
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